
Reforma Agrária não é mera redistribuição de terras.
Trata-se de um processo amplo de mudanças que passa pelo campo político,
social, técnico e econômico.
Essencialmente visa a transferir a propriedade da terra de
minorias latifundiárias para pequenos agricultores e trabalhadores agrícolas,
objetivando o alcance de uma igualdade social maior, de melhor distribuição do
poder político e de melhorias de ordem econômica.
Abolicionismo e Reforma Agrária
Segundo o historiador e geógrafo Manoel Correia de Andrade,
o movimento político-social em prol das campanhas abolicionista e pela reforma
agrária, apesar de separados por um século de distância, guardam entre si a
mesma causa remota:
surgiram em conseqüência da conquista do território
brasileiro pelos portugueses, do sistema de posse e uso da terra imposto à
população indígena que habitava o vasto território e aos grandes contingentes
de negros trazidos da África para possibilitar o desenvolvimento das grandes
plantações.
Os portugueses procuraram desenvolver uma agricultura
destinada à produção de alimentos e matérias-primas tropicais, necessários ao
mercado europeu, bem como organizar a exploração de minérios.
Por meio do sistema implantado, terras foram doadas a
colonizadores, que deveriam utilizar grande número de escravos (indígenas e/ou
africanos), para produção das mercadorias de interesse do mercado colonial.
Para controlar o acesso à propriedade da terra, dizimaram os grupos contrários
à escravidão e dominaram a população pelo uso da força.
Formou-se, então, uma sociedade sem liberdade, em sua
maioria, em que a grande concentração fundiária impossibilitava que as pessoas
pobres, mas livres, tivessem acesso a terra para o seu cultivo.
Durou três séculos a exploração colonial e escravagista. No
século XIX, iniciam-se as manifestações pela libertação dos escravos.
A reação dos negros e das elites que entendiam que mudanças
de ordem social eram necessárias para assegurar o desenvolvimento do Brasil
redundou na abolição da escravidão, por meio de etapas sucessivas.
Com a Lei Áurea (13-5-1988), cessava definitivamente a
escravidão, mas não resolvia a situação dos escravos. Leis complementares
propostas por abolicionistas, visando à criação de colônias agrícolas para os
libertos, a desapropriação de terras não exploradas e o desenvolvimento da
agricultura, não foram assinadas.
A República e a terra
Com a abolição da escravatura, a República, que sucedeu à
monarquia, procurou substituir os escravos por colonos europeus, especialmente
onde se dava a expansão de culturas de exportação, como a do café. Restava aos
negros e mulatos trabalhar em sistema de parceria (em que o pequeno produtor
pagava a renda da terra com grande parte de sua produção agrícola ou em
dinheiro), ou desenvolver culturas de subsistência para os grandes
proprietários.
A enorme dimensão do território brasileiro, aliada à pequena
concentração de população, contribuiu para o surgimento dos grandes
latifúndios, que expandiam seus domínios forçando a venda das pequenas
propriedades, ou mesmo expulsando seus donos do local onde viviam.
Nas áreas mais importantes, onde se cultivava produtos de
exportação (café, açúcar, cacau), foram adotadas relações de trabalho, tornando
o trabalhador em assalariado. Nas menos dinâmicas, de muita terra e pouca
mão-de-obra, surgiram outras formas de relação (arrendamento de pequenos
sítios, a parceria e a concessão de terras pela troca de produção).
A República retardou as medidas agrárias que vinham sendo
defendidas por grupos políticos. Surgiam no país formas de exploração dos
trabalhadores agrícolas (ex-escravos, na maioria).
Reações e primeiras mudanças
As revoltas surgidas foram sempre destruídas com violência
pelos governos ligados aos grupos dominantes. A revolução de 1930 contribuiu
para a quebra do sistema dominante das oligarquias. Passaram a fazer parte das
lutas políticas novas parcelas da população brasileira: a classe média e o
operariado industrial urbano.
A Constituição de 1934 trazia avanços:
a) garantia a desapropriação por necessidade ou utilidade
pública, mediante prévia e justa indenização;
b) determinava que o trabalho agrícola fosse regulamentado,
procurando fixar o homem no campo;
c) previa a organização de colônias agrícolas;
d) consagrava o usucapião;
e) obrigava as empresas agrícolas, localizadas longe dos
centros escolares, a manter escolas.
Não chegou, entretanto, a produzir efeitos. Foi substituída
pela Constituição de 1937, mais conservadora, mais voltada para os problemas
urbanos do que para os do setor agrário.
Após o término da Segunda Guerra Mundial, uma Assembléia
Constituinte elaborou a nova Constituição (1946), que repetiu os dispositivos
da Carta de 1934. Os representantes dos latifundiários na Constituinte
permitiram a inclusão dos avanços anteriores, pois entendiam perfeitamente que,
com a obrigatoriedade de indenização prévia em dinheiro, nos casos de
indenização, a reforma agrária não teria êxito.
O impulso da industrialização, nos anos 50, revitalizou a
economia mundial capitalista. No Brasil, a partir de 1955, abrem-se novas
rodovias, implantam-se usinas hidrelétricas, indústrias de base (siderúrgica,
petrolífera, automobilística). Cresce o processo de concentração de renda.
Expandem-se, na área rural, as culturas comerciais, atingindo as terras
ocupadas por pequenos produtores.
Com o surgimento das Ligas Camponesas e dos sindicatos
rurais, o movimento dos camponeses se organiza como forma de luta legal.
Crescem as manifestações favoráveis a implantação da reforma agrária, como
forma de mudar o sistema de propriedade da terra. Radicalizam-se os movimentos,
por meio de greves, invasões de propriedade não utilizadas, sendo a reforma
exigida na “lei ou na marra”.
A gravidade da situação leva a sociedade a se preocupar mais
com o problema e a discutí-lo. Em 1963, é lançado o Estatuto do Trabalhador
Rural, que passa a garantir ao homem do campo o direito ao salário mínimo, a
férias e repouso remunerados, ao aviso prévio e à indenização em caso de
demissão. O Governo cria a Superintendência da Reforma Agrária (SUPRA). Os
Estados Unidos pressionam as autoridades brasileiras para implantar uma reforma
agrária, visando a amenizar a influência da Revolução Cubana na América Latina.
Multiplicavam-se as reivindicações sociais e firmava-se uma
mentalidade de mudanças, com destaque para a reforma agrária. A Revolução de
1964 inicia um período autoritário, onde o movimento popular do campo é
totalmente reprimido.
O primeiro governo militar, devido às condições do país e as
pressões americanas, elaborou um projeto de reforma agrária moderado.
Transformado na Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964, nascia o Estatuto da
Terra, criando dois órgãos: o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA),
para cuidar da reforma da estrutura fundiária, e o Instituto Nacional de
Desenvolvimento Agrícola (INDA), voltado para o processo de colonização.
Esses órgãos sofreram forte pressão do setor latifundiário.
Posteriormente foram unificados, surgindo o Instituto Nacional de Colonização e
Reforma Agrária (INCRA), em 1970. Levantamentos iniciados pelo IBRA e depois
pelo INCRA – 1967, 1972 e 1976 – demonstraram um domínio completo dos
latifúndios no território brasileiro, que não eram cultivados intensamente,
impedindo milhões de trabalhadores de terem acesso a terra e à produção. Os
minifúndios, mesmo em maior número, ocupavam áreas pequenas e respondiam pelo grande
volume da produção brasileira de alimentos. Tal constatação teve que ser
abafada.
A iniciativa de utilizar terras devolutas (desocupadas),
pertencentes à União e aos estados, numa política de colonização para os
trabalhadores em terra de áreas críticas e de tensão social no meio rural,
redundou no Programa de Integração Nacional (PIN), e justificaria a construção
de grandes rodovias (Transamazônica, Perimetral Norte, Cuiabá-Santarém). O
Governo lançou, ainda, projetos conservadores, como o PROTERRA(1971), em áreas
do Nordeste, pelo qual o próprio latifundiário oferecia ao INCRA parte do seu
latifúndio, recebendo indenização em dinheiro.
resultado da política agrária do regime militar acabou
reforçando o poder do latifúndio tradicional e desenvolveu o latifúndio
moderno, das grandes empresas nacionais e multinacionais. Projetos agrícolas,
agroindustriais, agropecuários, financiados pelo Governo, transformaram-se em
latifúndios enormes, apoderando-se de terras de posseiros e índios.
Com a ênfase dada à política de exportações, foi melhorado o
sistema viário, com a construção de auto-estradas, ampliação de portos e
modernização de ferrovias. Houve incentivo para o desenvolvimento da tecnologia
agrícola importada, com crescimento da
produção de matérias-primas e de alimentos (açúcar, cacau, café, fumo).
Os sindicatos passaram a ser controlados pelo Ministério do
Trabalho e a praticar uma política assistencialista.
Com o fracasso do modelo econômico do governo militar,
começaram a surgir greves nas áreas em que os agricultores eram mais bem
organizados, e onde prevalecia o sistema de assalariamento. Muitos desses
movimentos tiveram sucesso, mas nem sempre os proprietários respeitavam os
direitos assegurados pela Justiça aos trabalhadores.
A Igreja Católica e outras instituições religiosas passaram
a apoiar os trabalhadores rurais. Verifica-se no país o crescimento de uma
conscientização maior de seus problemas. Avança a campanha pelas Diretas Já.
Eleito pelo Colégio Eleitoral, Tancredo Neves promete a reforma agrária aos
trabalhadores do campo. No governo Sarney cria-se o Ministério da Reforma
Agrária e do Desenvolvimento (MIRAD) que, juntamente com o INCRA, apresentam um
Plano Nacional de Reforma Agrária (1985).
O cenário nacional torna-se delicado. De um lado, há
movimentos que pleiteiam a aplicação do Plano de Reforma Agrária, considerado
moderado e contraditório, e os que querem a reforma imediatamente, por meio da
ocupação de terras improdutivas. Do outro, os grandes latifundiários
radicalizam o processo e resistem à implantação de mudanças.
Conceito de reforma agrária
De acordo com a Lei nº 4.504 (Estatuto da Terra), de 30-11-64,
art. 1º, & 1º, “Considera-se Reforma Agrária o conjunto de medidas que
visem a promover melhor distribuição da terra, mediante modificações no regime
de sua posse e uso, a fim de atender aos princípios de justiça social e ao
aumento de produtividade”.
Diversos especialistas chamam a atenção para aspectos
importantes da Reforma Agrária:
a) necessidade de ser um processo amplo e abrangente, que
conte efetivamente com a participação dos camponeses e beneficie a maioria dos
trabalhadores rurais;
b) a localização da Reforma somente no Setor Primário, ou
seja, a distribuição de direitos sobre a propriedade de terra agrícola,
evitando-se assim deturpações quanto ao seu âmbito, fato que pode inviabilizar
todo o processo;
c) estabelecimento de uma política abrangente, que leve em
conta a promoção humana, social, econômica e política.
d) A rapidez e firmeza do processo, como forma de atingir
metas a curto prazo e de conseguir modificações na estrutura latifundiária.
Reforma Agrária é, portanto, um processo de mudanças
estruturais que visa a distribuir os direitos sobre a posse e uso da terra e o
controle de sua produção, assegurando a participação da população rural nos
benefícios do desenvolvimento.
Etapas do processo
Para a maioria dos autores, dois pontos são estratégicos
para o sucesso da Reforma Agrária: rapidez e abrangência. O período de sua
duração deve ser de cinco a dez anos, no máximo. É essencial, também, que
alcance todo o território nacional, essencial para a consolidação das ações e
para impedir o aparecimento de resistências anti-reformistas.
Entretanto, devido às dimensões do território nacional, as
ações a serem desenvolvidas não podem ocorrer ao mesmo tempo e em toda as
partes. É preciso observar as prioridades, levando-se em conta as necessidades
mais urgentes de cada região ou área específica. O que tem que ser evitado é a
implantação de programas em áreas isoladas, em detrimento de outras, pois
favorece a formação de focos de resistência contra as reformas.
As etapas que devem compor um processo de reforma agrária
não precisam seguir uma seqüência obrigatória, podendo variar ou mesmo ser
eliminadas, dependendo do desenvolvimento específico de cada área.
Primeira etapa
Refere-se ao reconhecimento do problema agrário, no que se
refere ao nível de vida do homem do campo, constatando-se como se encontra a
sua situação econômica, social e política.
Nessa etapa são detectadas as falhas do funcionamento da
agrícultura da região estudada e suas relações com a posse e o uso da terra.
Segunda etapa
É a fase de planejamento. É comum ocorrem enganos na
avaliação dos dados coletados, criando-se projetos tecnicamente perfeitos, mas
distanciados da realidade, o que inviabiliza a sua execução.
Cada área deve merecer um tratamento específico, conforme o
estágio de desenvolvimento em que se encontra.
Terceira etapa
Corresponde ao período de execução e que exige a aplicação
de instrumentos legais, tais como desapropriações, transferência de posse de
terra. É imprescindível a participação do trabalhador rural, a fim de torná-lo
o principal agente do desenvolvimento.
O êxito ou entrave de um processo de reforma agrária está
diretamente ligado ao entendimento por parte da população dos programas e
projetos formulados e da integração com as forças interessadas nas reformas.
Nesta etapa devem ser constituídas entidades de classe, para fiscalização e
avaliação das ações executadas.
Consolidação
A reforma agrária estará ou não consolidada, dependendo do
nível alcançado pelas mudanças, no que toca a posse, uso e gozo da terra e aos
fatores de produção.
As falhas de estrutura anteriormente existentes devem
desaparecer, para que não apareça qualquer possibilidade de reversão das
alterações produzidas.
Conflitos pela posse da terra
A diferença de interesses entre os pequenos agricultores e
os grandes proprietários de terra tem gerado conflitos em todas as regiões do
Brasil. Para os agricultores a terra é fundamental para o seu sustento, enquanto
para os proprietários é fonte de renda.
Os tipos mais comuns de conflitos têm sido:
a) os que ocorrem nas zonas de expansão de fronteira
agrícola (Maranhão e Bahia), onde os trabalhadores se instalam como posseiros e
cultivam a terra com suas famílias. Acabam sendo expulsos pelos grandes grupos
econômicos ou grandes proprietários.
b) Onde existe a exploração pecuária e pequena produção de
alimentos. Os criadores, estimulados pelo crescimento do mercado de carne
bovina, procuram ampliar suas áreas de pastagem, expulsando parceiros e
rendeiros, e pressionando os pequenos proprietários a vender suas terras.
c) Os provocados pelas desapropriações feitas para
construção de barragens ou para instalação de sistemas de irrigação. Prejudicam
os pequenos agricultores que cultivam terras à margem de um rio. As quantias
recebidas a título de indenização não são suficientes para comprar outras
terras nas mesmas condições, e acabam sendo gastas, deixando inúmeras famílias
na miséria. Os parceiros e rendeiros que vivem em fazendas não são indenizados
e ficam também sem qualquer meio de sobrevivência.
Vale ressaltar, ainda, o problema do índio que, por falta de
demarcação de suas terras, vem sendo expulso pela ação de grileiros.
O problema nos últimos anos
A marcha de três meses dos sem-terra, que chegaram em
Brasília no dia 17 de abril de 1997, se transformou numa das maiores
manifestações ocorridas na capital federal, e reavivou a questão agrária.
A divulgação, em janeiro de 1998, de um documento do Vaticano
intituladoPor uma melhor distribuição de terra – O desafio da Reforma Agrária,
causou também grande repercussão. As reações ao documento foram imediatas e
extremadas.
O assunto tomou o rumo da radicalização. O Movimento dos
Sem-Terra intensificou as invasões de terras, como forma de pressão. No lado
oposto, os fazendeiros estão formando grupos armados para impedir a ação dos
sem-terra.
Em regiões como no sul do Pará, a Polícia Federal e o
Exército tiveram de ser chamados para acalmar situações reinantes. No Norte e
Nordeste do Brasil os proprietários contratam pistoleiros para defender as suas
terras.
O MST, fundado em 1984, no Rio Grande do Sul, responsável
por fazer ressurgir a reforma agrária na consciência nacional, tem demonstrado
ser não penas um movimento social, mas também político e ideológico. Além das
invasões de terras, produtivas ou não, passou a invadir órgãos públicos,
empresas e até mesmo bens históricos, tombados pelo Patrimônio Histórico,
Artístico Nacional – Iphan, tendo participado também de saques a supermercados
e de seqüestros de caminhões que transportam gêneros alimentícios, na companhia
dos flagelados da seca, visando ganhar mais visibilidade junto à opinião
pública e aumentar seu poder de pressão perante o poder público. Suas
lideranças afirmam que o objetivo do MST é mudar o modelo da sociedade.
Atualmente, há denúncias de irregularidades quanto a
aplicação dos recursos destinados a melhorias nos assentamentos e ao pagamento
de assistência técnica. Em Pernambuco, o Tribunal de Contas do Estado detectou
desvios de dinheiro público em pelo menos cinco assentamentos do MST.
Considerações finais
A principal reivindicação dos trabalhadores rurais tem sido
a reforma agrária. O Estatuto da Terra não teve até hoje uma aplicação
verdadeira. As estruturas existentes, o poder político mantido pelos grandes
proprietários e empresas com latifúndio, resistem e impedem as mudanças.
A própria complexidade da reforma agrária, com
características diferentes de uma área para outra, no que se refere às formas
de uso e posse da terra, e a questão dos recursos financeiros para as
desapropriações e assentamento dos colonos beneficiados, dificultam a sua
execução.
Para que a reforma seja completa, não pode se restringir
apenas à redistribuição de terras. Deve vir acompanhada de uma política de
crédito rural (com juros e prazos compatíveis com a atividade agrícola), de
assistência técnica, de um sistema de pesquisas e técnicas de comercialização.
Política que traga um sentido de organização comunitária fundamentada em
elementos sociais, ecológicos, econômicos e políticos. Política de produção de
alimentos para exportação e consumo interno.
A reforma agrária deve ter abrangência para cobrir todas as
áreas e todos os homens do campo, para que eles possam exercer seus direitos.
Direitos ao trabalho, à alimentação e a terra. Direitos anteriores a qualquer
direito de propriedade.
Reforma essa que não repita erros de programas e projetos
anteriores, que apontaram metas nunca atingidas, que beneficiaram o latifúndio
e frustraram o pequeno proprietário. Que acabaram destruindo vastas áreas
agrícolas, com inundações de terras por conta da construção de grandes
barragens, provocando o desemprego de pequenos produtores. Ou de projetos
agropecuários que não demonstraram qualquer preocupação social e ecológica.
Uma reforma sem radicalismos, democrática, voltada para a
elevação do nível de vida do trabalhador rural. Uma reforma que promova a paz
social no campo e a modernização agrícola em todo o território nacional, e que
consiga harmonizar a liberdade de iniciativa com a valorização do trabalho
humano.
No Brasil, fazer a reforma agrária é uma questão de justiça
social e exige uma tomada de posição de toda a sociedade, de maneira a permitir
o desenvolvimento pleno do país.
Vocabulário Explicativo
Assentamento: é o local onde se instalam os trabalhadores
rurais e suas famílias, beneficiados com desapropriações promovidas pelo poder
público, passando a explorar as terras que ficam pertencendo a eles.
Desapropriação: é o ato unilateral de direito público, com reflexos
no direito privado, pelo qual a propriedade individual é transferida, mediante
prévia e justa indenização, a quem dela se utiliza, no interesse da
coletividade.
Fronteira Agrícola: faixa pioneira em que o povoamento feito
por agricultores avança, ocupando terras de floresta.
Grileiro: representante de grandes proprietários,
encarregado de expulsar posseiros, preparando a ocupação de terras vazias por
esses mesmos proprietários.
Latifúndio: propriedade rural que apresenta terras
incultivadas, explorada por um só proprietário. Há latifúndios pertencentes
também a grandes empresas rurais industrializadas.
Minifúndio: é o imóvel rural que ocupa áreas menores que o
latifúndio, e cujas terras são cultivadas.
Oligarquia: forma de governo em que o poder está nas mãos de
poucas pessoas. A oligarquia rural é caracterizada pelo enorme poder econômico
e político que detém os grandes proprietários.
Posseiros: pessoas que tomam posse de terras vazias sem,
contudo, possuir a sua propriedade.
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