A crise do governo ditatorial deflagrada com o fim do
“milagre econômico” e as denúncias sobre a repressão exercida pelos militares
deu os primeiros passos no processo de redemocratização do Brasil. Os
movimentos grevistas do final da década de 1970 e o anúncio das eleições
estaduais diretas, em 1982, davam claro sinal da retirada dos militares do
poder.
No mês de abril de 1983, o então deputado estadual Dante de
Oliveira redigiu uma proposta de lei que requeria uma mudança no texto
constitucional permitindo a realização de eleições diretas para Presidente da
República. Em um Congresso dominado por representantes simpáticos ao regime
parecia ser impossível a aprovação desse tipo de proposta legislativa.
Mesmo com a existência de um governo militar no poder e uma
maioria conservadora no Congresso, o que se limitava a uma proposta de lei transformou-se
em um grande movimento político. Contando com o apoio do PMDB, do PT e do PDT
iniciaram-se a organização de comícios responsáveis por mobilizar a opinião
publica em favor da abertura política.
Paulatinamente, setores da mídia, personalidades do meio
artístico e líderes políticos passaram a engrossar as fileiras desta causa. Em
abril de 1984, um comício realizado em São Paulo contou com a participação de
mais de um milhão de manifestantes. Percebendo as proporções do movimento, o
presidente Figueiredo permitiu a censura aos órgãos de imprensa e ofereceu
outro projeto de lei estabelecendo as eleições diretas somente para o ano de
1988.
Com esta medida, o cenário político encabeçado por setores
de esquerda perderia seu poder de influência em uma possível eleição direta em
1985. Por fim, a emenda Dante de Oliveira não foi aprovada por uma pequena
diferença de votos. Com isso, as eleições indiretas de Tancredo Neves serviram
para a consagração de um projeto de transição política capaz de desarticular
profundas mudanças no cenário político nacional.
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